Atlético: Barcelona quer Gabriel Veneno por €20 mi, mas multa é de €60 milhões - La Notícia
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Atlético: Barcelona quer Gabriel Veneno por €20 mi, mas multa é de €60 milhões

Foto: Divulgação - Atlético

O Barcelona quer Gabriel Veneno. O Atlético sabe que o jogador vale muito mais do que o clube catalão está disposto a pagar agora. E a dívida do Galo pode forçar uma decisão que não seria tomada em outro momento.

O interesse do Barcelona foi publicado pelo jornal espanhol AS e confirmado pelo site Moon BH com fonte no clube. A proposta gira em torno de €20 milhões, cerca de R$ 117 milhões. O problema é que, quando o Atlético assinou o primeiro contrato profissional de Veneno, blindou o jogador com multa rescisória de €60 milhões para o mercado internacional, o equivalente a R$ 350 milhões. A diferença entre os dois números resume o dilema.

Quem é Gabriel Veneno

João Gabriel Castro Santos nasceu em Ilhéus, na Bahia, em 16 de julho de 2009. Tem 16 anos. Formado em projetos sociais do Nordeste e com passagem pela base do Santos, chegou a Belo Horizonte em 2023 e se consolidou rapidamente como o principal ativo das categorias de base do clube.

O apelido carrega uma história de infância: aos três anos, sobreviveu à picada de uma cobra venenosa após longo período de internação e precisou passar por amputação parcial do dedo anelar da mão direita. Durante uma avaliação na base, um observador associou essa história ao estilo elétrico do menino e o batizou como Veneno.

Dentro de campo, o apelido faz jus ao perfil. Ponta-esquerdo canhoto de perna trocada, atua preferencialmente pelo lado direito cortando para dentro, com drible curto agressivo, velocidade em transição e ousadia para atacar a última linha adversária. Recebeu comparações com Neymar e Mahrez na imprensa europeia e fechou contrato global de patrocínio com a Adidas aos 15 anos. Seu vínculo com o Atlético vai até julho de 2028.

O que a FIFA impede

Antes de qualquer negociação financeira, há uma barreira regulatória. A FIFA proíbe a transferência internacional de menores de idade. Gabriel Veneno só poderá se mover para a Europa ao completar 18 anos, o que ocorrerá em julho de 2027.

A estratégia do Barcelona é fechar o acordo financeiro agora, garantindo prioridade de compra para inscrever o atacante no Barcelona B assim que ele atingir a maioridade. É uma aposta de antecipação de mercado: o futebol europeu aprendeu que esperar a joia sul-americana estourar no elenco profissional significa pagar o triplo em janelas futuras.

A pressão da dívida sobre a decisão

O Atlético não está em posição confortável para negociar com calma. A SAF aprovnou aporte de R$ 530 milhões promovido pela família Menin, direcionado quase integralmente para abater dívidas bancárias. Mesmo assim, o passivo de curto prazo ainda orbita acima de R$ 1 bilhão. Em 2025, o clube gastou R$ 250 milhões só com juros de empréstimos anteriores. A meta para 2026 é reduzir esse custo de carregamento para cerca de R$ 140 milhões anuais.

Nesse cenário, a entrada de R$ 117 milhões por um jogador que ainda não estreou no time principal funcionaria como alívio imediato no fluxo de caixa. É como vender um ativo abaixo do preço de avaliação porque o caixa pede resposta rápida.

O que o Atlético não pode aceitar

Vender 100% dos direitos econômicos de Veneno por valor fixo seria um erro estratégico sem volta. A análise do Moon BH aponta que qualquer acordo com o Barcelona precisaria incluir taxa fixa próxima de €20 milhões combinada com bônus por produtividade, como metas de jogos no time principal espanhol, convocações para a Seleção Brasileira e títulos, além da manutenção de percentual expressivo de mais-valia, entre 15% e 20%, sobre uma futura revenda dentro da Europa.

Se permanecer em BH, receber minutos na Arena MRV e conquistar títulos de expressão, o valor de Veneno pode alcançar o teto da multa contratual com rapidez. O risco de mantê-lo é real: lesões, oscilações normais de maturação e o fechamento eventual de janelas econômicas no exterior. Mas o risco de vendê-lo barato é irreversível.

O Atlético vai tomar a decisão que for mais urgente. A questão é se conseguirá garantir, no contrato, que urgência financeira de hoje não vire arrependimento esportivo amanhã.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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