Atlético projeta saída de Scarpa e Dudu, mas cirurgia inesperada muda os planos - La Notícia
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Atlético projeta saída de Scarpa e Dudu, mas cirurgia inesperada muda os planos

Foto: Divulgação

Com a saída de Hulk, o Atlético entrou em um ciclo de ajuste salarial que coloca dois nomes no centro do dilema financeiro da SAF: Gustavo Scarpa e Dudu. Juntos, eles custam cerca de R$ 2 milhões por mês ao clube, apenas em vencimentos-base estimados, o equivalente a R$ 24 milhões em 12 meses.

O problema, como o Moon BH apurou, não é o valor isolado. É a relação entre custo e retorno. Os dois estão na faixa salarial de protagonistas, mas não vivem um momento de protagonistas dentro de campo.

Os números da folha

Com base em estimativas de plataformas especializadas de mercado, Scarpa figura como o maior salário do elenco após Hulk, na faixa de R$ 1,1 milhão mensais. Dudu aparece logo abaixo, com R$ 900 mil. Na sequência estão Maycon, com R$ 1 milhão, Júnior Alonso em torno de R$ 700 mil e Bernard perto de R$ 600 mil.

O Transfermarkt avalia o elenco atleticano em €87,1 milhões. Os cinco jogadores mais valiosos são Renan Lodi (€11 milhões), Mateo Cassierra (€8 milhões), Vitor Hugo (€7 milhões), Tomás Cuello (€6 milhões) e Alexsander (€5,5 milhões). Scarpa aparece mais abaixo, em €4,5 milhões. Dudu está em €800 mil, reflexo natural da curva de mercado para um atacante de 34 anos.

Esse contraste entre folha e valor de revenda é o ponto central do dilema. Para uma SAF em processo de ajuste fiscal com dívida acima de R$ 1 bilhão, pagar como estrela quem não está entre os ativos mais valiosos do elenco é pressão real sobre o caixa.

O caso Scarpa: cirurgia no pior momento

Foto: Pedro Souza / Atlético

Scarpa passou por artroscopia no joelho direito para retirada de um fragmento solto, operação realizada pelos médicos Rodrigo Lasmar e Rodrigo Barreiros no Hospital Mater Dei. O clube não divulgou prazo de retorno.

A cirurgia chegou no momento mais delicado para qualquer negociação. O meia de 32 anos já aparecia como nome negociável na janela do meio do ano, mas qualquer interessado agora terá que avaliar um jogador em recuperação cirúrgica, com sequência recente comprometida e salário de protagonista.

No Brasileirão, Scarpa havia disputado apenas dez partidas antes da lesão. Dificilmente alcançará o limite de 13 jogos que impediria transferência para outro clube da Série A, o que mantém a porta do mercado nacional aberta. A cirurgia não impede a saída, mas muda as condições: um clube interessado pode pedir desconto, divisão de salário em empréstimo ou simplesmente esperar a recuperação antes de avançar.

O caso Dudu: disponível, mas difícil de vender caro

Dudu não está lesionado, mas também não conseguiu se impor como peça central desde que deixou o Palmeiras. A lógica de uma venda definitiva por valor expressivo simplesmente não existe: com salário estimado em R$ 900 mil mensais e valor de mercado de €800 mil, o retorno financeiro de uma transferência seria pequeno.

O que faz sentido para o Atlético é o alívio da folha. Liberar Dudu abriria espaço salarial e permitiria buscar perfil mais alinhado ao modelo de Eduardo Domínguez. O obstáculo é encontrar comprador disposto a absorver perto de R$ 900 mil mensais por um atacante de 34 anos. O cenário mais realista pode envolver rescisão negociada ou saída para mercado alternativo, com parte do salário ainda absorvida pelo clube.

O ajuste que o Galo precisa fazer

O Atlético percorre um caminho já trilhado por outras organizações que precisaram cortar custos sem perder operação. Abrir mão de dois grandes nomes com currículos reconhecidos é impopular. Mas para um clube que gastou R$ 250 milhões só com juros em 2025 e tem meta de reduzir esse custo para R$ 140 milhões em 2026, o ajuste da folha não é opção: é condição para seguir competindo nos torneios que importam.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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