Copasa a R$ 47,23: quem comprou a ação há 12 meses já dobrou o dinheiro - La Notícia
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Copasa a R$ 47,23: quem comprou a ação há 12 meses já dobrou o dinheiro

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Foto: reprodução

O Moon BH acompanha o processo de privatização da Copasa desde dezembro de 2025, quando a Assembleia Legislativa aprovou o projeto e o papel ainda negociava abaixo de R$ 30. O que veio depois foi uma das maiores altas do setor de saneamento na Bolsa brasileira.

Agora a operação chegou ao momento mais concreto: o Governo de Minas fixou R$ 47,23 por ação como preço mínimo da oferta pública que pode tirar o Estado do controle da companhia. A precificação final está prevista para 11 de junho, e a oferta-base envolve 171 milhões de ações ordinárias, o equivalente a 45% do capital social da Copasa.

De estatal descontada a ativo disputado

Por anos, a Copasa carregou o desconto típico de empresa controlada pelo governo: interferência política, dúvidas sobre eficiência e baixa expectativa de ganho de rentabilidade. O papel ficava parado enquanto o setor privado de saneamento avançava.

A virada começou quando a privatização deixou o campo do discurso. Com a aprovação na ALMG em dezembro de 2025, seguida do aval do Tribunal de Contas e do anúncio da oferta, o mercado foi reprecificando o ativo em etapas. A lógica foi direta: se a Copasa deixar de ser estatal, pode reduzir ineficiências, acelerar investimentos e se aproximar do modelo que valorizou a Sabesp após sua própria desestatização.

A CSMG3 saiu de patamares próximos de R$ 23, chegou a bater R$ 61 e se estabilizou entre R$ 50 e R$ 53. Não foi apenas melhora operacional. Foi mudança de tese.

O que o piso de R$ 47,23 sinaliza

O preço mínimo funciona como sinal duplo. Para o governo, é o valor abaixo do qual a operação não segue. Para o mercado, é o parâmetro de quanto o Estado aceita receber para transferir parte relevante de sua participação.

Na avaliação do Moon BH, o número está estrategicamente posicionado: abaixo do preço de mercado recente, que girava entre R$ 50 e R$ 53, mas suficientemente alto para mostrar que o governo não pretende liquidar o ativo. É uma âncora que protege o Estado sem afastar investidores.

A operação também foi ajustada tecnicamente: a quantidade máxima de ações adicionais recuou por causa de bloqueios judiciais sobre cerca de 46 mil papéis de titularidade do governo mineiro. Com isso, a movimentação financeira total deve ficar entre R$ 8 bilhões e R$ 9 bilhões, abaixo da estimativa inicial que chegava a superar R$ 10 bilhões.

Quem dobrou o patrimônio com a CSMG3

Quem comprou a ação perto das mínimas de R$ 23 e manteve posição registrou valorização superior a 100%, sem contar dividendos e juros sobre capital próprio distribuídos no período. O retorno total ao acionista ficou acima de 120% em 12 meses, segundo acompanhamento do Moon BH com dados públicos da companhia.

Esse desempenho não foi acaso. Foi o mercado precificando uma mudança de estrutura que parecia incerta e passou a parecer inevitável: cada etapa do processo legislativo e regulatório empurrou o papel para cima.

Mas quem entrou perto da máxima de R$ 61 vive outro cenário. A ação recuou nas últimas semanas porque parte do mercado esperava propostas mais agressivas de investidores estratégicos. O ganho passado foi expressivo, mas a reta final ainda pode trazer volatilidade.

A Bolsa já precificou tudo?

Essa é a pergunta mais relevante agora. Quando uma ação sai de R$ 23 para mais de R$ 50, a assimetria muda completamente. Antes, o mercado comprava a possibilidade de privatização. Agora, cobra a entrega: preço final da oferta, investidor de referência, plano de investimentos, renovação de contratos municipais e ganhos operacionais concretos.

Um preço de oferta próximo do piso de R$ 47,23 pode ser lido como demanda mais fraca do que o esperado. Um preço bem acima reforça confiança e pode dar novo fôlego ao papel. O caminho de maior retorno já foi percorrido por quem entrou cedo. O que vem agora exige análise mais fina.

O impacto além da Bolsa

A privatização da Copasa não é apenas um evento de mercado. É uma decisão que vai afetar o saneamento de centenas de municípios mineiros por décadas.

A lei aprovada pela ALMG prevê que parte dos recursos vá para um fundo estadual de saneamento básico e para amortização da dívida de Minas com a União. A golden share mantida pelo Estado garante poder de veto em decisões estratégicas e obriga a futura empresa a cumprir as metas de universalização de água e esgoto previstas no Marco Legal do Saneamento. Na prática, será o teste real do modelo adotado.

A data de 11 de junho é o próximo termômetro. Se a colocação for bem-sucedida e o preço sair acima do mínimo com boa liquidez, a privatização da Copasa pode se tornar referência para outras desestatizações estaduais no país.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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Economia
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