O Conselho Administrativo de Defesa Econômica aprovou sem restrições a compra de 45 operações da DMA pelo Supermercados BH. A liberação inclui lojas convencionais, postos de combustíveis e unidades de atacarejo do grupo que controla as bandeiras EPA e Mineirão Atacadista. A informação é do site Moon BH.
A aprovação sem condicionantes significa que a Superintendência-Geral do Cade não identificou risco de concentração que exigisse venda de ativos ou compromissos de comportamento por parte do comprador. Para Pedro Lourenço, o Pedrinho BH, é o sinal verde que faltava para começar a integração operacional de um grupo que já nasce entre os maiores do varejo alimentar do país.
O que ainda está pendente
A liberação desta semana não encerra o processo. Outras 120 lojas da DMA espalhadas por Minas Gerais seguem sob análise do Cade. Como o Supermercados BH já possui penetração forte no mercado mineiro, o órgão precisa avaliar se a concentração em cidades do interior não reduz a concorrência a ponto de prejudicar o consumidor local.
A aprovação das 45 unidades indica que o Cade tende a ver a operação com olhar favorável, mas a análise das 120 restantes será mais criteriosa. Esse é o trecho mais sensível do processo, e onde podem surgir eventuais exigências de desinvestimento em praças específicas.
O grupo que está sendo construído
Antes da DMA, o Supermercados BH já figurava no Ranking Abras 2026 como a quarta maior rede supermercadista do Brasil, com faturamento de R$ 25,7 bilhões em 2025, atrás apenas de Carrefour, Assaí e Grupo Mateus. A DMA somou cerca de R$ 9 bilhões no mesmo período.
Integradas, as duas empresas orbitam R$ 35 bilhões em receita anual e podem alcançar algo próximo de 600 lojas com a absorção completa anunciada em abril. Em varejo alimentar, onde a margem líquida raramente ultrapassa 3%, escala não é detalhe: é o único mecanismo real de ampliar lucro sem elevar preço.
Com esse tamanho, o Supermercados BH deixa de ser um gigante regional com expansão controlada e passa a disputar lógica nacional de volume, pressionando a capacidade de negociação com a indústria, a eficiência logística e o lançamento de marcas próprias.
A virada para o Nordeste

Reprodução
A DMA já operava em Bahia e Pernambuco quando a operação foi anunciada. Para Pedrinho, isso representa uma redução significativa do custo de entrada em mercados onde o Grupo Mateus, que faturou R$ 43,5 bilhões e domina boa parte do Norte e Nordeste, é o principal concorrente.
O BH chega ao Nordeste com disciplina operacional e modelo baseado em preço competitivo. Mas precisará adaptar sortimento, fornecedores e comunicação a um comportamento regional distinto do mineiro, onde a rede construiu sua reputação ao longo de décadas.
O movimento que o mercado ainda não calculou
A aprovação do Cade abre também uma janela estratégica que vai além do varejo de alimentos. A parceria entre Pedro Lourenço e João Adibe Marques, CEO da Cimed, ganhou novo contorno com a escala que o BH passa a ter após a DMA.
A Cimed anunciou na Apas Show 2026 sua entrada no ramo alimentar, com foco em categorias de alta recorrência, e projeta que o canal alimentar represente 25% do sell-in no primeiro ano. Uma rede com centenas de lojas é canal de distribuição de alto valor para uma empresa com as marcas da Cimed.
Há ainda um ângulo regulatório relevante: legislação recente permite a abertura de farmácias dentro de supermercados. Para um grupo que vai integrar 600 lojas e tem como parceiro um dos maiores laboratórios farmacêuticos do país, esse detalhe representa uma nova fronteira de receita que ainda não foi precificada pelo mercado.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

