Globo é dona da CazéTV? A jogada de Casimiro que virou a Copa pelo avesso - La Notícia
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Globo é dona da CazéTV? A jogada de Casimiro que virou a Copa pelo avesso

Caze tv x globo

Foto: Reprodução

A Globo não é dona da CazéTV. A resposta é simples, mas a estrutura por trás do canal de Casimiro Miguel ficou mais complexa justamente no momento em que a Copa do Mundo colocou Globo, YouTube, Amazon, SBT e plataformas digitais na mesma disputa pela atenção do torcedor.

A CazéTV é controlada pela LiveMode, empresa brasileira de mídia esportiva que negocia direitos, produz transmissões e opera canais digitais. Casimiro continua sendo o rosto mais conhecido do projeto, mas deixou de ser sócio direto do canal que leva seu apelido.

Segundo o InvestNews, a LiveMode, que já tinha 51% da CazéTV, incorporou os 49% que estavam com a CMiguel Produções, empresa de Casimiro. Em troca, o streamer passou a integrar o quadro societário da LiveMode Cayman, holding global do grupo. Os valores e os percentuais da nova participação não foram divulgados.

O movimento muda a leitura do negócio. Casimiro não saiu da operação. Ele trocou participação direta em um canal por uma fatia em um grupo maior, com ambição internacional e presença cada vez mais forte nos direitos esportivos.

O Moon BH já havia explicado, em uma matéria anterior, que a CazéTV não era apenas “o canal do Casimiro”, mas uma parceria com a LiveMode, empresa responsável por dar escala comercial e operacional ao projeto. A nova reorganização societária atualiza essa história: agora, o canal está ainda mais concentrado dentro da estrutura empresarial da LiveMode.

A CazéTV virou maior que o próprio canal

O que começou como uma alternativa informal à transmissão esportiva tradicional virou uma máquina de mídia. A CazéTV cresceu porque entendeu antes de boa parte da televisão que o público jovem não queria apenas assistir ao jogo. Queria comentar, reagir, cortar, compartilhar e acompanhar a transmissão como se estivesse em uma roda de amigos.

Esse modelo ficou evidente desde a Copa de 2022, quando o canal ganhou espaço com transmissões no YouTube e linguagem distante do padrão mais rígido da TV aberta. Em 2026, a escala é outra. A CazéTV transmite todos os 104 jogos da Copa do Mundo no Brasil, enquanto a Globo tem um pacote menor, com partidas selecionadas em TV aberta, SporTV e Globoplay.

A Globo segue gigante. Tem tradição, narradores conhecidos, estrutura internacional e uma relação histórica com a Seleção Brasileira. Mas, pela primeira vez em décadas, não é a única porta principal da Copa para o público brasileiro.

Foto: Divulgação

É por isso que a pergunta “a Globo é dona da CazéTV?” aparece tanto. Para o torcedor comum, a confusão nasce porque as duas marcas estão no mesmo evento, com jogos da mesma competição, às vezes disputando a mesma audiência e o mesmo anunciante. Mas não há controle societário da Globo sobre a CazéTV.

O que existe é concorrência.

A reação mais clara da emissora foi a ge TV, canal digital gratuito lançado pela Globo para disputar espaço no ambiente onde a CazéTV se consolidou: YouTube, lives, cortes, programas de resenha e transmissões com linguagem mais próxima das redes sociais.

O Moon BH também já mostrou essa movimentação quando a Globo contratou Jorge Iggor, ex-TNT Sports, para ser uma das vozes do novo projeto digital. A contratação foi interpretada como um recado direto ao mercado: a emissora não pretende assistir passivamente à ascensão da CazéTV.

A troca de ações de Casimiro explica a nova fase

A parte mais importante da negociação não está no nome do canal, mas na troca de participação. Casimiro deixou de ter uma fatia direta da CazéTV e passou a ter participação na holding global da LiveMode.

Em termos empresariais, é como sair de um apartamento valorizado para entrar como sócio do prédio inteiro. O canal continua sendo o ativo mais visível, mas a LiveMode tem outros caminhos de crescimento: direitos esportivos, produção de eventos, distribuição internacional, parcerias com plataformas e novos formatos de transmissão.

Essa leitura ganhou ainda mais peso com a entrada de Cristiano Ronaldo como acionista de uma frente internacional ligada à LiveModeTV. O movimento mostrou que a empresa por trás da CazéTV não quer ser apenas uma operação brasileira de YouTube. Quer vender o modelo para outros mercados.

A lógica é simples: esporte ao vivo ainda é um dos poucos produtos capazes de reunir milhões de pessoas ao mesmo tempo. Só que a forma de consumir mudou. O público não quer apenas a transmissão linear. Quer bastidor, corte rápido, influenciador, estatística, pós-jogo, meme e conversa em tempo real.

A CazéTV se posicionou exatamente nesse espaço. E a LiveMode transformou esse comportamento em modelo de negócio.

No caso da Copa, a estratégia ficou ainda mais agressiva. Além do YouTube, a CazéTV ampliou distribuição em parceria com o Prime Video, que passou a exibir as transmissões do canal para assinantes no Brasil, sem custo adicional. Isso aumenta o alcance, melhora a experiência em smart TVs e coloca a operação em mais uma vitrine forte de consumo esportivo.

A Globo, por outro lado, tenta defender um território histórico. A ge TV é a resposta mais visível, mas o desafio é maior: competir com uma marca que nasceu nativa das redes e que não precisa adaptar uma cultura de televisão para a internet.

A disputa também é comercial. Quem domina a atenção durante a Copa vende patrocínio, ativações, branded content e presença de marca. A CazéTV e o YouTube já chegaram ao mercado com pacotes robustos. A Globo tem força de venda, credibilidade e distribuição nacional. O SBT e a N Sports entram como terceira via em parte dos jogos.

Para o público, o resultado é uma Copa mais espalhada. Para o mercado, é uma ruptura. Durante muito tempo, assistir ao Mundial no Brasil era praticamente sinônimo de ligar a TV na Globo. Em 2026, o torcedor compara transmissão, narrador, delay, resolução, comentários e experiência digital.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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